MINICURSOS DA XII SEMHIPI


MC 01 - ENSINO E HISTÓRIA DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL

Ministrante: Prof. Dr. Alexandre Rodrigues de Souza - UFPI

Ementa:

Os avanços nas pesquisas sobre a história dos povos originários brasileiros nas últimas décadas, o crescimento das demandas dos movimentos sociais indígenas e a publicação de leis como a 11.645/2008, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino a história e cultura afro-brasileira e indígena, contribuíram para transformar o conhecimento sobre os povos nativos do país. Diante disso, tornou-se necessário a formação de docentes atentos aos conteúdos didáticos sobre a temática dos povos originários na sala de aula. Este minicurso tem como proposta refletir sobre o ensino da história dos indígenas brasileiros, em diálogo com o momento em que a historiografia ressignifica a narrativa histórica dos nativos no passado e no presente. Além disso, auxiliar na reflexão das possibilidades de ensino e pesquisa dos povos originários, através da discussão de fontes, conceitos e metodologias.

Objetivo(s):

Apresentar um breve histórico dos povos originários do Brasil, refletir sobre as possibilidades de aplicação da história dos nativos na sala de aula e analisar fontes, textos e imagens referentes à temática para utilização na Educação Básica. As atividades serão organizadas através leitura e exposição dialogada de conteúdo, reflexão de propostas pedagógicas e análise de material didático.

Bibliografia:

ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Os índios na História do Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2010.

CUNHA, Manuela Carneiro da. História dos Índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

MONTEIRO, John M. Guia de Fontes para História Indígena e do Indigenismo. São Paulo, NHII-USP/Fapesp. 1994.

MONTEIRO, John M. "Armas e armadilhas: História e resistência dos índios". InAdauto Novaes (org.), A outra margem do Ocidente, São Paulo, Companhia das Letras. 1999.

PAIVA, Adriano Toledo. História indígena na sala de aula. Belo Horizonte: Fino traço, 2012.

SILVA, Aranci Lopes da; GRUPIONI, Luis Donisete Benzi. A temática indígena na escola: novos subsídios para os professores de 1° e 2° graus. Brasília: MEC, 1995.


MC 02 - MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA EM HISTÓRIA INDÍGENA (NORDESTE COLONIAL)

Ministrante: Prof. Dr. Antonio José de Oliveira - UFCA

Ementa:

Análises da relação história e documentos; os índios em algumas tipologias documentais; a visibilidade indígena através dos documentos.

Objetivo(s):

Propor métodos e técnicas para extrair da documentação uma melhor compreensão da história indígena no nordeste colonial.

Bibliografia:

CUNHA, Manuela Carneiro da. História dos Índios no Brasil. São Paulo:Companhia das Letras, 1992.

ARÓSTEGUI, Julio. A Pesquisa em História: teoria e método. São Paulo: EDUSC, 2006.

PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tânia Regina de. (Org). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.

________________________. Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2008.

SAMARA, Eni de Mesquita; SILVERIA, Ismênia. História & Documento e metodologia de pesquisa. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.


MC 03 - HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DA SAÚDE NO BRASIL

Ministrantes: Prof. Me. Felipe da Cunha Lima - UESPI

                           Prof. Dr. Agostinho Junior Holanda Coe - UFPI

Ementa:

O presente minicurso tem como proposta a discussão sobre as principais obras e processos relacionados à história e historiografia dedicada à análise da saúde no Brasil com ênfase especial no período que vai da proclamação da República ao golpe militar de 1964. Entre os objetos a serem analisados destacamos a relação entre caridade e filantropia, os cuidados com a saúde da mulher e da criança, as epidemias do século XX, a história da eugenia, a Psiquiatria e suas instituições e a história das políticas de saúde no Brasil.

Objetivo(s):

Analisar as relações entre caridade e filantropia no Brasil;

Investigar como a assistência materno-infantil se estruturou em nosso país;

Abordar as principais perspectivas em torno da história das epidemias no pensamento historiográfico brasileiro;

Observar as principais perspectivas historiográficas relacionadas à história da eugenia no Brasil;

Traçar um balanço historiográfica da Psiquiatria e suas instituições em terras brasileiras;

Problematizar as principais trajetórias da saúde pública no Brasil.

Bibliografia:

FACCHINETTI, Cristiana; VENÂNCIO, Ana Teresa A. Da psiquiatria e de suas instituições: um balanço historiográfico. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

FONSECA, Cristina M. O. A história da política de saúde no Brasil (1889-1945): interpretações e trajetórias. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

MARTINS, Ana Paula Vosne; FREIRE, Maria Martha de Luna. História dos cuidados com a saúde da mulher e da criança. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

SANGLARD, Gisele; FERREIRA, Luiz Otávio. Caridade & Filantropia: elites, estado e assistência à saúde no Brasil. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

SILVEIRA, Anny Jackeline Torres; NASCIMENTO, Dilene Raimundo. Epidemias no século XX: gripe espanhola e aids. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

SOUZA, Vanderlei Sebastião de; WEGNER, Robert. História da Eugenia: contextos, temas e perspectivas historiográficas. In: TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.

TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado; HOCHMAN, Gilberto. História da Saúde no Brasil: uma breve história. In: _____ (orgs.). História da Saúde no Brasil. - 1. ed. - São Paulo: Hucitec, 2018.


MC 04 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: SUJEITOS, PRÁTICAS E INSTITUIÇÕES.

Ministrantes: Prof. Higo Carlos Meneses de Sousa (Mestrando em Educação - UFPI)

                           Profa. Wiliane Barbosa G. de Moura (Mestranda em História do Brasil - UFPI)

Ementa:

O minicurso tem por finalidade discutir sobre a História da Educação Brasileira a partir dos seus sujeitos, práticas e instituições. Para isso levamos em conta as pesquisas que foram realizadas nessa área a fim de estabelecer a importância da história da educação para a formação sociocultural do ser humano, visto que ela se consolida como uma área necessária aos estudos históricos para a produção e propagação de um conhecimento maior a respeito dos usos sociais das instituições e das práticas de ensino, bem como entender a cultura escolar presente nestas. Nestes termos, o minicurso pretende ainda debater sobre as mais diversas perspectivas das pesquisas realizadas. Utilizamos como base teórica as contribuições da Nova História Cultural, especialmente Peter Burke, Roger Chartier e Robert Darnton.

Objetivo:

Possibilitar reflexões sobre as pesquisas que envolvem o campo da História da educação.

Bibliografia:

ARANHA, Maria Lúcia de A. História da Educação. São Paulo: Moderna, 2000.

BARBOSA, Tânia Maria Pires. A elite colonial piauiense: família e poder. Teresina: Fundação Cultural Mons. Chaves, 1995.

BRITO, Itamar de Sousa. História da Educação no Piauí. Teresina: ADUFPI, 1996.

BURKE, Peter. A Escola dos Annales: a revolução francesa da história, 1929 - 1989. 2. ed. São Paulo: UNESP, 1991.

BURKE, Peter. O que é História Cultural? Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

BURKE, Peter. Testemunha ocular. Bauru: EDUSC, 2004.

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Trad. de Álvaro Lorencini. São Paulo: Ed. da UNESP, 1999.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.

________________. A mão do autor e a mente do editor. 1 ed. São Paulo: Editora Unesp. 2014.

________________. Os desafios da escrita. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

ESCOLANO BENITO, Agustín. A Escola como Cultura: experiência, memória e arqueologia. Campinas: Alínea, 2017.

FARIA FILHO, Luciano M. de (Org.) Pesquisa em História da Educação: perspectiva de análise. Belo Horizonte: HG edições, 1999.

FERRO, Maria do Amparo Borges. Pesquisa em História da Educação no Brasil. Antecedentes. Elementos Impulsionadores e Tendências. In: CAVALCANTE, Maria Juraci (org.) História da educação: instituições, protagonistas e práticas. Fortaleza: Editora UFC/LCR, 2005.

FERRO, Maria do Amparo Borges. Educação e Sociedade no Piauí Republicano. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1996. .

FERRO, Maria do Amparo Borges. Literatura e História da Educação: cotidiano, ideais e práticas pedagógicas. (Tese de Doutorado) Universidade de São Paulo, 2000.

FREITAS, Clodoaldo. História de Teresina. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1988.

GADOTTI, M. História das idéias pedagógicas. 5. ed. São Paulo: Ática, 1997. 319p.

GATTI, Jr., Décio & INÁCIO FILHO, Geraldo (Orgs.). História da Educação em Perspectiva: ensino, pesquisa produção e novas investigações. Campinas, SP: Autores Associados; Uberlândia, MG: EDUFU, 2005.

GONDRA, José. SILVA, José Cláudio Scoma. História da Educação na América Latina: ensinar e escrever. Rio de Janeiro: Eduerj, 2011.

HILSDORF, M. L. S. História da educação brasileira: leituras. São Paulo, SP: Pioneira Thomson Learning, 2003.

JULIA, Dominique. A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, Campinas, n1, p.9-44, 2001.

LOPES Antonio de Pádua de Carvalho. Superando a Pedagogia Sertaneja - Grupo Escolar, Escola Normal, Modernização pública primária: 1908-1930 (Tese de Doutorado), Universidade Federal do Ceará, 2001

LOPES, Antonio de Pádua de Carvalho. Beneméritas da instrução: a feminização do magistério primário piauiense. (Dissertação de Mestrado) Universidade Federal do Ceará, 1996.

MELO, Pe. Cláudio Meio. Os Jesuítas no Piauí. Teresina: 1991.

MOURA, Maria da Glória Carvalho. Educação de jovens e adultos; um olhar sobre sua trajetória histórica. Curitiba: Eduarte, 2003.

NUNES, Odilon. Pesquisas para a História do Piauí. Rio de Janeiro: Artenova, 1975. Volumes I, 11, 111 e IV. .

DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette. Mídia, cultura e revolução. São. Paulo: Companhia das Letras, 1995.

PEREIRA, Antonio Sampaio. Velhas escolas, grandes mestres. Teresina, 1996.

PIRES, Francisca Cardoso da Silva. Escola Normal no Piauí. Implantação e Desenvolvimentos (1864-1910). Piracicaba - SP: UNIMEP, 1985. Dissertação de Mestrado (mimeo).

QUEIROZ, Teresinha. Educação no Piauí. Imperatriz/MA: Ética, 2008.

QUEIROZ, Teresinha. Os literatos e a república: Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e as tiranias do tempo. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.

REIS, Amada de Cássia Campos. História e Memória da Educação em Oeiras Piauí. Dissertação de mestrado. Teresina: UFPI, 2006

SOARES, Norma Patrícya Lopes. Escola Normal em Teresina (1864-2003): reconstruindo uma memória de formação de professores. Teresina. Dissertação de mestrado. Teresina: UFPI, 2004.

SOUZA, Rosa Fátima. História da Organização do Trabalho Escolar e do Currículo no século XX (ensino primário e secundário no Brasil). São Paulo: Cortez, 2008.

VEIGA, Cynthia Greive. História da Educação. São Paulo: Ática. 2007.


MC 07 - INTERDISCIPLINARIDADE NO ENSINO E NA PESQUISA EM HISTÓRIA.

Ministrante: Profa. Esp. Nádia Narcisa de Brito Santos (Mestranda em História e Letras - UECE/FECLESC)

Ementa:

Diálogo entre disciplinaridade, multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade. Diferentes tipos ou graus de interdisciplinaridade. A História como campo interdisciplinar. Contribuições da interdisciplinaridade no ensino e na pesquisa em História.

Objetivo(s):

Refletir sobre a construção do conceito de interdisciplinaridade a partir das nuances da disciplinaridade, multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade e transdisciplinaridade;

Problematizar as possibilidades de pesquisa e de ensino no campo da História, a partir de abordagens interdisciplinares.

Bibliografia:

BARROS, José D'Assunção. Interdisciplinaridade na história e em outros campos do saber. Editora Vozes: Petrópolis, RJ, 2019.

FAZENDA, Ivani C. Arantes. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 6 ed. Edições Loyola: São Paulo, 2011.

_____. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. 1. Ed. Campinas: Papirus, 1994.

GUSDORF, G. Pasado, presente y futuro de la investigación interdisciplinaria. In: APOSTEL, L. Et al. Interdisciplinariedade e ciências humanas. Madrid: Tecnos UNESCO, 1983.

JAPIASSÚ, Hilton. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, repensar o pensamento. 8.ª Ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil Ltda., 2003.

PAVIANI, Jayme. Interdisciplinaridade: conceitos e distinções. 2.ed. rev. Caxias do Sul, RS: Educs, 2008.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Contribuição da História e da literatura para a construção do cidadão:a abordagem da identidade nacional. In: LEENHARDT, Jacques; PESAVENTO, Sandra Jatahy. Discurso histórico e narrativa literária (Orgs.). Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1998.

SACRISTÁN, J. G. Tendências investigativas na formação de professores. In: PIMENTA, S. G.; GHEDIN, E. (Org.). Professor Reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um contexto. São Paulo (SP): Cortez, 2002.

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

LENOIR, Rey B. Fazenda. Les fondements de l'interdisciplinarité dans la formation à l'enseignement. Canadá: Éditions du CRP/Unesco, 2001.


MC 08 - HISTÓRIA, ARQUEOLOGIA E MUSEUS.

Ministrante: Prof. Me. Naudiney de Castro Gonçalves (Doutorando em História - UNIRIO)

Ementa:

Patrimônio Cultural enquanto um campo interdisciplinar; Paisagem Cultural, Patrimônio Arqueológico, Patrimônio Material e Imaterial; Bens culturais, lugares de memória e processos de musealização.

Objetivo(s):

O Minicurso tem como objetivo apresentar a interdisciplinaridade no campo do Patrimônio Cultural, além de socializar experiências, bibliografia e pesquisas afins. Propomos um diálogo entre a História, a Arqueologia e outras áreas do conhecimento com temáticas relacionadas, fomentando o debate acerca de processos de musealização e lugares de memória.

Bibliografia:

BELLOTTO, Heloísa Liberalli. A função social dos arquivos e o patrimônio documental. In: PINHEIRO, Áurea da Paz; PELEGRINI, Sandra C. A. Tempo, Memória e Patrimônio Cultural. Teresina: EDUFPI, 2010. p. 73-85.

CHUVA, Márcia Regina Romeiro. O ofício do historiador: sobre ética e patrimônio cultural. In: INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Anais da I Oficina de Pesquisa: a pesquisa histórica no IPHAN. Rio de Janeiro: IPHAN/Copedoc, 2008. p. 27-43.

FONSECA, Maria Cecília Londres. Para além da pedra e cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural. In: ABREU, Regina; CHAGAS, Mário (Org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: Lamparina, 2009. p. 59-79.

PINHEIRO, Áurea da Paz. Memória, ensino de história e patrimônio cultural. In: PINHEIRO, Áurea da Paz; PELEGRINI, Sandra C. A. Tempo, Memória e Patrimônio Cultural. Teresina: EDUFPI, 2010. p. 29-54.


MC 09 - A HISTÓRIA COMO MISSÃO: POSSIBILIDADES DE LEITURAS CRÍTICAS SOBRE NICOLAU SEVCENKO E A SUA PRODUÇÃO INTELECTUAL.

Ministrantes: Prof. Wanderson Ramonn Pimentel Dantas (Mestrando em História do Brasil - UFPI)

                        Prof. Francisco Adriano Leal Macêdo (Mestrando em História do Brasil - UFPI)

Ementa:

Este minicurso pretende pensar a relação entre teoria da história, história do tempo presente e literatura, no qual em termos sequenciais, nossa arguição contemplará: Uma rápida contextualização sobre o autor e a suas obras, mostrando em quais ocasiões o livro Literatura como missão e Orfeu extático na metrópole foram escritos, apontando as particularidades dos livros e a contribuição do autor, tanto para compreender o contexto do Rio de Janeiro durante a Primeira República através dos literatos, quanto os estudo no qual o autor se debruça ao tentar compreender São Paulo durante os anos 20, além das peculiaridades que envolvem estes frementes anos. Desse modo, nosso ponto de partida tem como princípios explicativos, Literatura como missão obteve como principal fonte a literatura, principalmente nos escritos de Lima Barreto e de Euclides da Cunha. Sevcenko perspicazmente procura compreender como os autores captavam as contingências do regime, e a partir deles elucidar os problemas principais: as tensões sociais envoltas na Primeira república e a relação da produção cultural com estas tensões. Afinal, podemos afirmar que este é o traço mais importante na escrita do autor. Claro, o trabalho com literatura num doutorado em 1975 perscrutava uma forte influência do marxismo na academia, principalmente na USP. Influenciado por leituras como Hayden White, o autor contempla um novo tipo de fonte, até então pouco utilizado na escrita da história, a literatura. Tais óbices, Lima Barreto e Euclides da Cunha, fazem parte de uma geração de literatos que tiveram que adaptar-se às contingências do século XX. Num segundo momento e já abordando a obra Orfeu Extático na metrópole, nossa exposição pretende entrar no conteúdo em si, ao buscar demonstrar de início a metáfora do título como uma ideia que atravessa toda a obra, ainda que não de maneira cartesiana. Com o enunciado atravessado pela noção de êxtase, observada através do perspectivismo, Sevcenko lança mão de recursos metodológicos que nos transporta para os anos 1920 a partir de múltiplas "janelas". Além do mais seria interessante discutir-se-á a aceleração do tempo, o clima eufórico a dominação de um clima órfico na capital paulista. A palavra perde seu espaço para a ação, seguindo uma tendência mundial num primeiro momento, o vórtice desorientador, temas como a desigualdade social e construções forçadas de identidades em uma metrópole que nascia híbrida, com gente de muitas nacionalidades e procedências, criando uma "Babel invertida". As pessoas viram dínamos geradores de energia e a mobilização é permanente, como tudo evocando a ação e a eficiência. Homem-mulher máquina. Mudanças nas maneiras de se relacionar e flertar. O esporte e a política se misturam, com vocabulários inovadores. A ação é uma âncora para a identidade. O avião entra em cena enquanto imigrantes seduzidos pelo "Eldorado do Café" amargam na miséria. Entre outras questões extremamente pertinentes ao estudo da obra. Atravessando a abordagem geral, apresentamos um terceiro livro do autor em questão: A Revolta da Vacina: Mentes insanas em corpos rebeldes. Esse texto foi definido por Sevcenko posteriormente como um "amargurado" e ao mesmo tempo "esperançoso". Para além do seu conteúdo central, pretendemos analisa-lo como um testamento intelectual do historiador que se afirmou amplamente na sua militância na área da História e propôs intervenções efetivas na realidade. Com isso, fechamos as discussões.

Objetivo(s):

Compreender autor e obras; o horizonte da expectativa na pesquisa do autor e o espaço da experiência concretizado nas obras;

Discutir a relação exposta pelo autor entre a literatura e a história sob o foco das tensões republicanas na primeira república, principalmente perscrutando criticamente a trajetória analítica na obra.

Problematizar a urbanização acelerada da cidade de São Paulo em suas contradições e ressonâncias.

Analisar os efeitos da primeira Guerra Mundial nos processos históricos transnacionais da década de 1920 e as suas propaladas mudanças de valores.

Compreender as conexões entre o regional e o cosmopolita no movimento modernista paulista e sua aclimatação no pós-guerra.

Bibliografia:

SEVCENKO, Nicolau.Literatura como missão: tensões sociais e a criação cultural na Primeira República. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

___________. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo: companhia das letras, 1992.

___________. A Revolta da Vacina: Mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: Editora Unesp, 2018.


MC 10 - HISTÓRIA, TEATRO E POLÍTICA.

Ministrantes: Profa. Ma. Vanessa Soares Negreiros Farias - UESPI/UFPI

                           Prof. Me. Ronyere Ferreira - UFPI

Ementa:

Enfoque no estudo da história do teatro no Brasil, especialmente em experiências que evidenciam as tensões culturais e os aspectos políticos do fazer teatral. Censura ao teatro nos oitocentos, na Primeira República e na Ditadura Militar. Formação do teatro piauiense (1850-1930). Renascimento do teatro piauiense nos anos 1950.

Objetivo(s):

Analisar experiências históricas relacionadas à censura teatral no Brasil;

Analisar o processo de formação do teatro piauiense entre as décadas finais do século XIX e primeiras décadas do século XX, com especial enfoque para as tensões culturais;

Discutir o processo de renascimento da cena teatral piauiense nos anos 1950.

Bibliografia:

BRETAS, Marcos Luiz. Teatro e cidade no Rio de Janeiro dos anos 1920. In: CARVALHO, José Murilo de; NEVES, Lúcia Maria Bastos Pereira das (Org.). Repensando o Brasil do oitocentos: cidadania, política e liberdade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. p. 101-120.

CAMPELO, Ací. História do teatro piauiense (1858-2000). COMEPI: Teresina, 2001.

CHARLE, Cristophe. A gênese da sociedade do espetáculo: teatro em Paris, Berlim, Londres e Viena. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

DARNTON, Robert. Censores em ação: como os estados influenciaram a literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

FERREIRA, Ronyere. O teatro em Teresina: produções artísticas e tensões culturais (1890-1925). Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2017.

PARANHOS, Kátia Rodrigues (Org.). História, teatro e política. São Paulo: Boitempo, 2012. p. 135-156.

QUEIROZ, Teresinha. O teatro novecentista e a educação dos costumes. In:______. Do singular ao plural. 2. ed. Teresina: EDUFPI, 2015. p. 65-80.

QUEIROZ, Teresinha. Jônatas Batista e a paixão pelo teatro. In:______. Do singular ao plural. 2. ed. Teresina: EDUFPI, 2015. p. 95-109.

SOUZA, Silvia Cristina Martins de. As noites do ginásio: teatro e tensões culturais na corte (1832-1868). Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2002.